Casa Soares

O Bispo da Beira (Moçambique)

“Demasiado Grande para ser compreendido por homens demasiado pequenos” – D. Eurico Dias Nogueira (Arcebispo de Braga)

 

 

D. Sebastião Soares de Resende nasceu a 14 de junho de 1906 na Casa Soares, na freguesia de Milheirós de Poiares. Estudou no seminário da Diocese do Porto, onde foi aluno exemplar e altamente classificado.

Foi ordenado Sarcedote a 21 de outubro de 1928 e no dia 28 desse mês celebrou a Primeira Missa na Igreja Matriz da sua terra natal.

Prosseguiu estudos em Filosofia, Teologia e Ciências Sociais em Itália, onde se doutorou em Filosofia.

Regressado a Portugal, desempenhou os cargos de professor no Seminário Maior do Porto (1933), tendo sido no ano seguinte nomeado Vice-Reitor, e em 1936 nomeado Cónego da Sé Catedral do Porto.

Criada a Diocese da Beira em 1940 foi nomeado Bispo da Beira a 21 de Abril de 1943 e ordenado Bispo na Sé do Porto a 15 de Agosto desse mesmo ano.

Tomou posse da diocese a 1 de dezembro de 1943, com apenas 37 anos, tendo-se sempre afirmado o Prelato Culto e Piedoso, defensor intransigente da Verdade, da Justiça e dos Direitos do Homem.

Desenvolveu uma notável atividade missionária, publicando várias Cartas Pastorais, onde eram versados ousados temas candentes. Para além de escritor claro e doutrinador pioneirista na complexa problemática social de Moçambique, empreendeu a fundação de colégios e Missões, abriu Seminários, lançou o Jornal Diário de Moçambique e criou a Rádio Pax.

6 - CopyD. Sebastião Soares de Resende foi um pastor que se destacou pela defesa dos oprimidos, reconhecido como um grande promotor da educação e impulsionador da criação de uma Universidade no Ultramar.

No  II Concílio do Vaticano, foi o Português mais participante e teve, juntamente com D. António Ferreira Gomes, as únicas intervenções com alcance e qualidade, denunciando as ditaduras e o colonialismo.

Faleceu a 25 de Janeiro de 1967, na sequência de um cancro e, por sua vontade, foi sepultado em Moçambique no Cemitério de Santa Isabel, em campa rasa, no cruzamento de dois caminhos principais – «que fosse o mais calcado pelos visitantes», como pedia no seu testamento.

«Sobre a sua humilde campa rasa, apenas se vê uma singela legenda, que ele mesmo escolheu, ao redigir o seu testamento que é, com o emocionante diário íntimo, o espelho fiel da sua alma cristalina: “Sebastião, primeiro Bispo da Beira» – escreveu D. Eurico Dias Nogueira (arcebispo).

Em 2000, D. Sebastião Soares de Resende foi eleito a figura que mais se distinguiu da História concelhia do século XX pelos leitores do jornal «Terras da Feira».

A 14 de Junho de 2006, é assinalado o Centenário do seu nascimento na sua terra Natal. Além de várias iniciativas culturais, foi inaugurada uma estátua em sua homenagem da autoria de Irene Vilar.

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“O cancro levou-o com sessenta anos de vida e um quarto de século como bispo missionário. Apesar da sessão comemorativa do centenário do seu nascimento, realizada, em Junho passado, na sua terra natal, o país deve a este prelado uma homenagem nacional pela dignificação que fez da África lusófona, vítima, ainda hoje, de tantos atropelos aos Direitos Humanos.”

Manuel Vilas-Boas, Jornalista da TSF  (Dezembro 2006)

 

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